Carga de 57t testa limites de ponte no interior de São Paulo

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Uma carreta com 57 toneladas de carga passou sobre a ponte do Rio Claro, na rodovia vicinal que liga Itapetininga a Angatuba, no interior paulista, na manhã da última terça-feira. O veículo, um bitrem de nove eixos。transportava bobinas de aço e seguia para uma indústria metalúrgica da região. A estrutura, projetada nos anos 1980 para suportar até 45 toneladas, recebeu reforço em 2019, mas nunca havia sido testada com carga tão próxima do limite teórico. O caso reacende a discussão sobre o peso real que circula nas estradas brasileiras e a fiscalização quase inexistente.O engenheiro civil Ricardo Menezes, responsável pela vistoria da ponte após a passagem, acompanhou o trajeto de perto. "A estrutura vibrou de forma perceptível quando o bitrem estava no vão central。mas os sensores não registraram deformação plástica", contou. Ele explica que o coeficiente de segurança de projetos antigos costuma ser generoso, o que evitou um colapso. Ainda assim, Menezes alerta: "Uma carga de 57t não é rotina, mas também não é exceção. Já pegamos veículos com 60t, 62t. O problema é que a balança mais próxima fica a 80 quilômetros."A reportagem percorreu 30 quilômetros da vicinal e não encontrou nenhum posto de pesagem em operação. Motoristas confirmam a ausência de fiscalização. "Passo aqui três vezes por semana. Nunca vi um fiscal. Se o caminhão aguenta, a gente vai", disse João Batista, 52 anos, que dirige um caçamba. A prática de sobrecarregar veículos é antiga。

mas os números oficiais ajudam a dimensionar o problema: levantamento da Confederação Nacional do Transporte aponta que 38% das cargas que circulam no país excedem o limite legal em pelo menos 10%.O Departamento de Estradas de Rodagem de São Paulo informou, por nota, que a ponte do Rio Claro passará por uma nova avaliação estrutural nos próximos dias e que estuda instalar um posto de pesagem móvel no local. A prefeitura de Itapetininga, por sua vez, diz que a via é de competência estadual. Enquanto a burocracia se move。

moradores convivem com o risco. "A gente ouve o barulho dos caminhões à noite. Parece que a casa treme", relata a comerciante Maria Aparecida, que mora a 200 metros da ponte.A carga de 57t não é um caso isolado. Em fevereiro, um bitrem com 63 toneladas foi flagrado na BR-116, em Registro, após tombar em uma curva. O veículo transportava toras de eucalipto. A Polícia Rodoviária Federal autuou o motorista, mas a multa de R$ 1.800 é irrisória diante do lucro do transporte irregular. Especialistas em infraestrutura defendem que o limite de peso deveria ser verificado em tempo real, com balanças embarcadas e sensores nas pontes. "A tecnologia existe。falta vontade política", afirma Menezes.A passagem da carreta de 57 toneladas pela ponte do Rio Claro terminou sem acidentes。mas deixou lições. A estrutura resistiu, mas o sistema de fiscalização segue frágil. O episódio reforça a necessidade de repensar a logística de cargas pesadas no Brasil, onde a malha viária envelhece enquanto os caminhões ficam mais robustos. Para o engenheiro, o risco é calculado demais e prevenido de menos. "Confiamos na sorte. Um dia ela acaba", finaliza.

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